"A Forma da Água" foi o grande vencedor da noite, levando consigo para casa os prémios para "Melhor Filme", "Melhor Realização", "Melhor Banda Sonora" e "Melhor Cenografia".
Perante um Dolby Theatre repleto, a voz de Jimmy Kimmel fez-se ecoar com a solenidade dos anos dourados da Sétima Arte. Começaram aqui as primeiras piadas do anfitrião desta noite, naquela que foi a 90ª gala de entrega dos Óscares. Já em palco, Kimmel cumpriu, com uma elegância mordaz, o seu papel logo no discurso inaugural da cerimónia.
Para começar, e de certa forma retirar o elefante da sala, recordou a fatídica troca de envelopes do ano anterior com o filme “La La Land” a ser anunciado como “Melhor Filme”, quando na verdade o grande vencedor era “Moonlight”. “Tenham cuidado. Este ano, quando ouvirem o vosso nome, não se levantem logo, deem-nos um minuto”, disse, perante a gargalhada da plateia.
Em seguida, Kimmel aproveitou a estatueta dourada para introduzir aquele que já se adivinhava que seria o tema da noite: o assédio sexual em Hollywood. “O Óscar é o homem mais respeitado de Hollywood. E há boas razões para isso. Olhem para ele: mantém as mãos onde as possamos ver, nunca diz nada desagradável e, o mais importante, não tem um pénis. É deste tipo de homem que esta cidade precisa”, disse, para logo de seguida acrescentar, numa clara referência ao que se viria a revelar o vencedor da noite, “A Forma da Água”: “Vamos sempre lembrar-nos deste ano como aquele em que os homens falharam tanto que as mulheres tiveram de começar a namorar com peixes”.
Num ano que se esperava tomado de assalto pelos discursos politizados por temas como o assédio sexual, a igualdade de géneros e as armas nas escolas, a verdade é que a cerimónia foi muito menos disruptiva do que se esperava. Não fosse o discurso de Frances McDormand, vencedora do Óscar para “Melhor Atriz” por “Três Cartazes à Beira da Estrada” e ninguém diria que o escândalo Harvey Weinstein aconteceu.
Imprevisível, a atriz não hesitou e captou a atenção do público ao afirmar que estava a hiperventilar e que, se caísse no chão, para a levantarem porque tinha “coisas para dizer”. De seguida, pediu para que todas as mulheres nomeadas se levantassem. Com o Dolby Theatre já a aplaudir, Frances McDormand sublinhou que todas aquelas mulheres tinham ideias e histórias para contar, mas que os produtores e investidores não deviam ir ter com elas naquela noite, durante as festas, mas sim marcar reuniões na semana seguinte, no escritório deles ou delas, para discutir ideias e projetos. Para terminar, a atriz deixa apenas três palavras: “cláusula de inclusão” – cláusula que todos os atores podem incluir nos seus contratos para exigir a igualdade de género e racial nas equipas dos filmes em que participam.
Discursos à parte, os grandes vencedores foram “A Forma da Água”, com quatro Óscares; “Dunkirk”, com três; e “Três Cartazes à Beira da Estrada” e a “Hora Mais Negra”, ambos com duas estatuetas. Guillermo del Toro, que venceu pela primeira vez o Óscar para “Melhor Realizador”, por “A Forma da Água”, dedicou o prémio a todos os jovens realizadores.
Se não teve oportunidade de ver os Óscares, confira a listagem dos vencedores em todas as categorias e percorra a nossa galeria para ver alguns dos momentos altos da noite.
Lista de vencedores
Melhor filme: “A Forma da Água”
Melhor realizador: Guillermo del Toro, “A Forma da Água”
Melhor atriz: Frances McDormand, em “Três Cartazes à Beira da Estrada”
Melhor ator: Gary Oldman, em “A Hora Mais Negra”
Melhor atriz secundária: Allison Janney, “I Tonya”
Melhor ator secundário: Sam Rockwell, em “Três Cartazes à Beira da Estrada”
Melhor canção original: “Remember Me”, do filme de animação “Coco”
Melhor banda sonora: “A Forma da Água”
Melhor fotografia: “Blade Runner 2049”
Melhor argumento original: “Get Out” (Jordan Peele)
Melhor argumento adaptado: “Call Me By Your Name”
Melhor curta-metragem: “The Silent Child”
Melhor efeito visual: “Blade Runner”
Melhor filme de animação: “Coco”
Melhor curta de animação: “Dear Basketball”
Melhor Filme Estrangeiro: “A Fantastic Woman” (Chile)
Melhor direção de arte: “A Forma da Água”
Melhor mistura de som: “Dunkirk”
Melhor edição sonora: “Dunkirk”
Melhor documentário: “Icarus”
Melhor guarda-roupa: “Linha Fantasma”
Melhor caracterização: Kazuhiro Tsuji, David Malinowski e Lucy Sibbick, “A Hora Mais Negra”
Melhor edição: “Dunkirk”



